Em outra passagem Adorno se refere a música da seguinte forma:

De modo algum se dá expressão à esquizofrenia, mas a música tem um comportamento que se parece ao de certos doentes mentais. O indivíduo representa tragicamente sua própria dissociação. Desta imitação ele se promete, de maneira mágica, mas atualidade imediata(…) Seu interesse apoia-se antes no dominar rasgos esquizofrênicos mediante a consciência estética e também em geral queria reivindicar a loucura como boa saúde (ADORNO , 1974, p. 132-133).

Conforme citado acima, pode-se dizer que, para Adorno tinha a arte e a música como primícias, a valorização da realidade do sofrimento humano, pois para ele, tudo aquilo que possuía uma estética tradicional de beleza, era apenas ideologia da sociedade capitalista avançado burguesa. Neste contexto, segundos os Steven P. Meyer e Jeffrey Steinberg no artigoMarking the postwar World Safe for “Facist Kulturkampf pela revista Exectutive Intelligence Review comentam da citação:

Adorno detalhou o seguinte:

1) despersonalização, a perda da ligação com o próprio corpo;

2) hebefrenia, que ele definiu como “a indiferença do corpo doente para com o mundo externo”;

3) catatonia (“um comportamento semelhante familiar junto de pacientes que se encontram sobrepujados com algum evento chocante”); e

4) necrofilia. Adorno declarou: necrofilia universal é a última perversidade do estilo (MEYER e STEINBERG, 2004).

“Macaquinhos”

Diante desse cenário, fica evidente, que a mentalidade revolucionária, está no alicerce da arte moderna, não pode deixar de ser materialista anticlerical, e niilista. Sendo assim, retirando-se da perspectiva a esperança, e a religião que é sua portadora, o que resta é tão somente a matéria e o nada, por isso a arte moderna é niilista e materialista, ao mesmo tempo em que nega a possibilidade de transcendência e zomba de qualquer tipo de espiritualidade.

“Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”

E o logo trata de aniquilar a própria matéria para entronizar o nada, ou a sobra de algo, como na arte teatral de Samuel Beckett, que é feita de migalhas reminiscências de sonhos, memória e angústia e indizíveis; ou como nas artes plásticas cuja obras são reuniões de fragmentos automatizados, desconexos e agressivamente dissonantes, que tem sempre a intenção de provocar repulsa o que consegue, isso sim, realizar com grande eficiência (MANTOVANI , 2017, p. 29-30).

continua na próxima semana…