Por: Marcos Camargo

Artigo explicas alguns pontos relevantes da história do ensino da arte relacionado, ao ensino da arte em museus, modernismo e o pós-modernismo, a livre expressão e a originalidade, as tendências do ensino da arte na atualidade, entre as nuanças que a arte sofrera com a evolução histórica.

Segundo Ott (Ott apud BARBOSA) o ensino de arte em museus pressupõe um ensino sensível, ou seja, um sistema que possibilite uma atmosfera positiva para o desenvolvimento da crítica de arte pelos alunos. Diante da afirmação de Ott, percebe-se que, no início da segunda metade do século XIX, o museu já se constituía como um espaço para o ensino da arte, no qual estudantes e educador tinham contato com a obra original para fins de estudo e análise crítica. (Ott apaud BARBOSA, 1997, p. 117) também afirma que as ideias de Cole sobre a importância do museu como instituição voltada para a educação foram “transposta” por seu irmão Charles na “[…] organização do Metropolitan Museum of Art em 1870 […]” e assimiladas por outros museus, posteriormente fundados nos Estados Unidos (BARBOSA, 1997)

Daí o surgimento de arte-educador, de certo modo, aconteceu no museu Victoria and Albert Museum, 1852 a primeira a criar a função de arte- educador, acoplado a uma escola de artes industriais, a South Kensington School.

Modernidade, pós-modernidade e a originalidade

Ana Mae Barbosa propôs, nos anos 80/90, a então denominada Metodologia Triangular. A autora indicava que os procedimentos que compunham a metodologia davam ao ensino da arte uma fisionomia pós-moderna. Para Barbosa, o modernismo privilegiava, dentre as funções criadoras, a originalidade, preservando o estudante do contato com a obra de arte. Além disso, também acionava a emoção na abordagem da obra de arte.

Já a pós-modernidade, por exemplo, enfatizaria a elaboração, dentre os processos mentais envolvidos na criatividade. Também indicaria a cognição como preponderante para a compreensão estética e para o fazer artístico, associando crítica ao fazer e ao ver. Como definidor da arte, o pós-modernismo remete à construção do objeto e sua concepção inteligível. Nessa mesma categoria, a modernidade concebe a arte como expressão.

Enquanto a modernidade concebia a arte como “expressão”, a pós-modernidade remete à “construção do objeto” e sua “concepção inteligível”, como elementos definidores da arte. As publicações da Getty Foundation, que defende nos Estados Unidos um ensino da arte “Beyond Creating”, têm sido estudadas por nossos artes-educadores que apreendem sua conceituação para a construção de uma prática apropriada ao nosso contexto educacional. (BARBOSA , 1989)

Como bem nos assegura Mae (2003) pode-se dizer que a pratica tem se mostrado impotente para formar o apreciador e fruidor da arte. Neste contexto, fica claro que os Estados Unidos, o ensino livre expressivo da arte existe nas escolas públicas, portanto para todas as classes sociais, desde os anos 30, nem por isso os americanos são apreciadores mais argutos da arte. O mais preocupante, contudo, é constatar que pelo contrário, a livre expressão, sem desenvolvimento da capacidade crítica para avaliar a produção, tem formado nos Estados Unidos um consumidor ávido e acrítico de imagens. Não é exagero afirmar que a prática sozinha tem se mostrado impotente para formar o apreciador e fruidor da arte.

Por outro lado, é bom lembrar que o desenvolvimento da capacidade criadora, tão caro aos defensores do que se convencionou chamar livre expressão no ensino da arte, isto é, aos cultuadores do deixar fazer, também se dá no ato do entendimento, da compreensão, da decodificação das múltiplas significações de uma obra de arte. Flexibilidade, fluência, elaboração, todos estes processos mentais envolvidos na criatividade são mobilizados no ato da decodificação da obra de arte. (BARBOSA , 2001, p. 41)

O trecho explicita a valorização de processos da criatividade na educação contemporânea, elaboração e flexibilidade. No Modernismo, por exemplo, essa valorização recai sobre o processo da originalidade:

O conceito de criatividade também se ampliou. Pretende-se não só desenvolver a criatividade por intermédio do fazer Arte, mas também pelas leituras e interpretações das obras de Arte. Para modernismo, dos fatores envolvidos na criatividade, o de máximo era a originalidade. Atualmente, a elaboração e a flexibilidade são extremante valorizadas (BARBOSA, 2003, p. 18)

Diante do exposto, então, é Ana Mae Barbosa indica que alguns modernistas desenvolveram ações que influenciaram e foram, em parte, precursoras das teorias contemporâneas em ensino de arte. dessa forma, o mais emblemático, por suas pesquisas e sua atuação como chefe do Departamento de Cultura, foi Mario de Andrade.

continua…