Para Barbosa (2003) a leitura do discurso visual é composta pela análise dos elementos visuais que constroem uma imagem e sua significação em diferentes contextos, cabe apontar que, apesar de os modos de recepção da obra de Arte e da imagem ao ampliarem o significado da própria obra a ela se incorporam.  Diante do exposto, então, não se trata mais de perguntar o que o artista quis dizer em sua obra, mas o que a obra nos diz, aqui e agora em nosso contexto e o que disse em outros contextos históricos a outros leitores.

Ana Mae Barbosa advoga a utilização da noção de leitura da obra, do campo de sentido e da imagem em lugar da palavra apreciação no campo da aprendizagem. Explica a autora que historicamente o ensino da apreciação em arte e design teve início na Inglaterra na passagem do século 19 ao 20, quando operários começaram a ser vistos como potenciais consumidores. Para a autora, apreciar indica a formulação de um discurso de convencimento.

A partir da década de 1980, no Brasil, o ensino de arte é repensado conceitualmente e passa por revisão em sua relação com pesquisas contemporâneas em arte. Essa alteração resultou em um tipo de trabalho em sala de aula, que passou a focar a produção da criança e do adolescente a partir da leitura de imagens, contextualização histórica e releituras a partir de obras de arte.

 

Dessa forma, Barbosa (2003) enfatiza, que a leitura do discurso visual é composta pela análise dos elementos visuais que constroem uma imagem e sua significação em diferentes contextos. Uma obra pode dizer várias coisas em lugares e tempos diferentes, devido a isso não podemos negligenciar a produção de arte e as releituras das imagens que nos cercam desde de muito cedo.

O autor deixa claro sobre a importância da alfabetização da leitura da imagem:

A produção de arte faz a criança pensar inteligentemente acerca da criação de imagens visuais, mas somente a produção não é suficiente para a leitura e o julgamento de qualidade das imagens produzidas por artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca. Este mundo cotidiano está cada vez mais sendo dominado pela imagem. Há uma pesquisa na França mostrando que 82% da nossa aprendizagem informal se faz através da imagem e 55% desta aprendizagem é feita inconscientemente. Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura de imagem de artes plásticas estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. Está decodificação precisa ser associada ao julgamento da qualidade do que está sendo visto aqui e agora e em relação ao passado. Preparando se para o entendimento das artes visuais se prepara a criança para o entendimento da imagem quer seja arte ou não. (BARBOSA , 2001, p. 34 e 35)

 

Mesmo com essa ascensão de informação e mídias por todos os lados, Robert William Ott (1997 apud BARBOSA, 1997) apresenta uma reflexão sobre a importância da tecnologia sendo um recurso fundamental na acessibilidade dos alunos as obras de artes. Entretanto, saliente que nada pode competir com a riqueza de uma obra de arte no original, com a experiencia de frequentar o espaço do museu.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARRUJO, G. C.; OLIVEIRA, A. A. Sobre Métodos de Leituras de Imagem no Ensino da Arte Contemporãnea. Imagens da Educação, Uberlândia, v. III, p. 70-76, Fevereiro 2013.

BARBOSA , A. M. A imagem no ensino da arte. 4ª. ed. São Paulo : Perspectiva , v. II, 2001.

BARBOSA, A. M. Arte-Educação: leituras no subsolo. 1ª. ed. São Paulo : Cortez, 1997.

BARBOSA, A. M. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. 2ª. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

LÉLIS, S. C. C. Poéticas visuais em construção: O fazer artístico e a educação sensivel no contexto escolar. Campinas: Universidade de Campinas, 2004.

OTT, R. W.; HURWITZ, A. Art in Education: An international Perspective. Pennsylvania State University Press: University Park, 1984.