Por: Marcos Camargo

O artigo explica como arte na escola desenvolveu com algumas reflexões de Ana Mae Barbosa, pois a disseminação do interesse pela leitura da obra de arte na educação escolar ocorreu no Brasil, sobretudo, após a publicação do livro “A Imagem no Ensino da Arte”. Antes, as atividades relativas às artes visuais na educação escolar limitavam ao fazer – desenhar, pintar, modelar -, orientada por uma pedagogia do auto expressão e do laissez-faire, ou, ao contrário, pelo ensino do desenho geométrico.  Devido a isso Ana Mae Barbosa, afirma que o “ensino da arte tem de ser conceitualmente revisto nos seguintes contextos: na escola fundamental, nas universidades, nas escolas profissionalizante, nos museus, nos centro culturais” (BARBOSA , 2001, p. 7).

Exemplo dos profissionais da televisão

Segundo a autora, Barbosa (2001, p. 13) , “uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta produção pelo público” para isso, a contribuição do ensino de arte na escola se dá com a formação do conhecedor, decodificador da obra de arte. Ana Mae Barbosa, por exemplo, em seu livro Imagem no Ensino da Arte, cita que tanto a escola e tantos os profissionais da televisão (desde produtores até camara men) seriam mais bem preparados se tivessem contato com o ensino de arte durante o período escolar porque, conhecendo arte, poderiam julgar melhor a qualidade e propriedade das imagens.

E na televisão? Todos os trabalhadores de TV, desde os produtores até a camera man.; seriam melhores se conhecessem. arte, porque estariam melhor preparados para julgar a qualidade e a propriedade das imagens. Já há uma pesquisa nos Estados Unidos mostrando que os camera men que tiveram. cursos de apreciação artística são mais eficientes, escolhem melhor os enquadramentos, dominam. melhor a Imagem que jogam em nossas casas (BARBOSA , 2001, p. 31).

A causa de hoje por não temos bons profissionais na televisão brasileira e cinema, se deve por boa parte a falta de que a escola, não leva, muitas vezes como base primícias, a formar o aluno a ser conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. “Sabemos que a arte na escola não tem como objetivo formar artistas, como a matemática não tem como objetivo formar matemático, embora artistas, matemático e escritores devam ser igualmente bem-vindos numa sociedade desenvolvida” (BARBOSA , 2001, p. 32).

Arte na escola

Pode-se dizer que sobre as culturas a serem abrangidas pela arte na escola, Ana Mae Barbosa coloca que as massas têm direito à sua própria cultura e também a cultura de elite.

Neste contexto, para Barbosa (2001, p. 33) fica claro que:

(…) a escola seria a instituição pública que pode tornar o acesso à arte possível para a vasta maioria dos estudantes em nossa nação. Insto não é desejável, mas essencialmente civilizatório, porque o prazer da arte é a principal fonte de continuidade histórica, orgulho e senso de unidade para uma cidade nação ou império, disse Stuart Hampshire (…)

A escola seria o lugar em que se poderia exercer o princípio democrático de acesso à informação e formação estética de todas as classes sociais, propiciando-se na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos.

 

Papel dos professores de artes

A melhor maneira de compreender esse processo é considerar que os professores têm um papel significativo de estimular os alunos a observar as obras de artes e usar tais obras como suporte para seus trabalhos, lembro que, para isso o professor não deve fazer uma avaliação da representação fiel, pois a obra observada é o suporte interpretativo e não modelo para cópia. Isso está relacionado o que Ana Mae Barbosa propõe no ensino de arte na pós-modernidade a qual implica a contextualização e a análise interpretativa integradas ao trabalho de construção plástica.

Conforme explicado acima, o autor deixa claro que, o que importa, portanto, é que somente a “ação inteligente e empática do professor pode tonar a arte ingrediente essencial para favorecer o crescimento individual e o comportamento do cidadão como fruidor de cultura e conhecedor da construção de sua própria nação” (BARBOSA, 2003, p. 14). Essa, porém, é uma tarefa que o professor precisa ser mediador não polivalente, mas sim de conhecedor afinco das obras de artes respeitos conduzir a construção do conhecimento do aluno. Por final, ser um agente para desvanecer a falta de contextualização, leitura das artes e o fazer artístico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA , A. M. A imagem no ensino da arte. 4ª. ed. São Paulo : Perspectiva , v. II, 2001.

BARBOSA, A. M. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. 2ª. ed. São Paulo: Cortez, 2003.