Por: Marcos Camargo

Artigo aponta alguns movimentos relacionado a artes que trouxe importantes mudanças na trajetória no ensino da arte no Brasil, usando como referência a autora Ana Mae Barbosa, partiremos de algumas reflexões levantas por ela, que contribuiu para o desenvolvimento da forma de ensinar a artes visuais atualmente. Alguns movimentos como: “de volta ao básico”, movimento Escolinhas de Arte; XIV Festival de Inverno de Campos de Jordão, e as transformações no final dos anos 80, foram pequenos lapsos na história da arte que trouxe envergadura e amadurecimento para o ensino.

Back to the Basics” Movement in Education

Segundo Barbosa, o movimento “de volta o básico”, que dominou a educação americana nos anos 1970, foi uma forma de reprimir o desenvolvimento do pensamento crítico e contracultural que culminou nos movimentos de 1968. Para autora, os jovens que lideraram os movimentos de 1968, eram produto da educação para o desenvolvimento da criatividade a qual rompeu no fim dos anos 1950.

De acordo com Barbosa (1989):

“Esta é a causa obscura da exclusão das artes das escolas na nova organização da educação brasileira. A razão explícita dada pelos educadores é que a educação no Brasil tem de ser direcionada no sentido da recuperação de conteúdos e que arte não tem conteúdo. É algo similar ao movimento de volta ao básico nos EUA. Um simpósio foi planejado (agosto, 1989) para demonstrar os conteúdos da arte na educação. Apesar de termos a maioria dos arte-educadores das escolas secundárias defendendo o laissez-faire e alguns outros que ainda não aceitam auto expressão, o caminho para sobreviver é tornar claro os possíveis conteúdo da arte na escola”.

 

Outro movimento que aconteceu nos anos 70, no Brasil, por exemplo, foi a das Escolinhas de Artes no Brasil, pois nesse período não existiam cursos de arte/educação nas universidades, somente cursos para preparação de professores desenho, em feral geométrico. Os objetivos das 32 “escolinhas” em 1971, era oferecer cursos de artes para crianças e adolescentes, e de preparação para professores, além de desenvolver a auto expressão dos jovens por meio do ensino das artes que tentava desde de 1948”. (BARBOSA , 2001). Para Barbosa (2001, p. 22), “o movimento das Escolinhas perdeu a importância depois da criação dos cursos de educação artista nas universidades nos anos setenta.”

Outro grande marco para Barbosa, foi o XIV Festival de Inverno de Campos de Jordão, realizado em 1983, foi apontado como referência de mudança na forma de ensinar arte no Brasil. Segundo Berdariolli (in Barbosa, 2001) o pioneirismo educacional daquele evento teria sido em virtude de ter sido o primeiro a conectar análise da obra de arte e/ou imagem com história e com o trabalho prático, além de apresentado naquele instante, segundo Barbosa,  foi à ênfase na decodificação e apreciação da cultura e do ambiente natural.

No final dos anos 80, Ana Mae Barbosa assinala que o futuro da arte-educação no Brasil está ligado a três objetivos complementares: reconhecer a importância do estudo da imagem no ensino de arte, reforçar a herança artística e estética dos alunos com base em seu meio ambiente e contemplar a forte influência dos movimentos de arte e comunidade na educação formal.

De acordo com Babosa (2001, p. 23 e 24):

“O primeiro é o reconhecimento da importância do estudo da imagem no ensino da arte, em particular, e na educação, em geral. A capacidade de leitura de imagens poderia ser desenvolvida através de diferentes teorias da imagem e também da relação entre imagem e cognição. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e a experiência da arte educação na XIX Bienal de São Paulo e o Projeto Arte na Escola da Fundação Iochpe são exemplos desta tendência).

Outro objetivo que estará presente na arte-educação no Brasil do futuro é a ideia de reforçar a herança artística e estética dos alunos com base era seu medo ambiente. A experiência dos CIEPs no Rio de Janeiro não poderá ser avaliada, porque razões políticas a suspenderam. nos seus inícios, mas esta é uma tendência bastante difundida no Brasil. Se não for bem conduzida pode criar guetos culturais e manter grupos amarrados aos códigos de sua própria cultura sem possibilitar a decodificação de outras culturas. Há perigos de se enfatizar a falta de comunicação entre a cultura de classe alta e a popular tornando impossível a compreensão mútua. Para o grupo popular isto é ainda mais perigoso porque eles não terão acesso ao código erudito, que é o código dominante na nossa sociedade. Teremos ainda no futuro a forte influência dos movimentos de arte e comunidade na arte-educação formal. Estes movimentos superam o perigo de se negar a informação da “‘norma culta“ para a classe popular.”

 

No Brasil a origem desse quadro é facilmente encontrada a incorporação das imagens – da televisão, da publicidade ou de outros meios de comunicação – no ensino da arte e a seleção de conteúdos que permitam abordá-las para o desenvolvimento estético e artístico surgiu, sob a forma de textos de Ana Mae Barbosa, nos anos de 1980. Também o conceito de criatividade também se ampliou.

“Pretende-se não só desenvolver a criatividade através do fazer Arte, mas também através das leituras e interpretações das obras de Arte. Hoje a elaboração e a flexibilidade são extremamente valorizadas. Desconstruir para reconstruir, selecionar, reelaborar, partir do conhecido e modificá-lo de acordo com o contexto e a necessidade são processos criadores, desenvolvidos pelo fazer e ver Arte, fundamentais para a sobrevivência no mundo cotidiano” (BARBOSA, 2003, p. 18)

Sendo assim, o autor deixa claro, que a leitura, interpretações das obras de arte o pode ser modificado de acordo com o contexto. No entanto para aprofundamento dos desdobramentos a respeito do ensino da arte no Brasil, é preciso conhecer algumas das principais obras de Ana Mae Barbosa como por exemplo, A Imagem No Ensino da Arte ou Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA , A. M. Estudos Avançados. Scielo, 1989. Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000300010>. Acesso em: 10 maio 2018.

BARBOSA , A. M. A imagem no ensino da arte. 4ª. ed. São Paulo : Perspectiva , v. II, 2001.

BARBOSA, A. M. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. 2ª. ed. São Paulo: Cortez, 2003.