Por: Marcos Camargo

Artigo aponta uma análise da entrevista que foi realizada no programa Roda vida no dia 12 de outubro de 1990, na TV Cultura com a arte educadora Ana Mae Barbosa. Apresenta um parâmetro do cenário no que cerne ao ensino da arte na educação brasileira, seguido a do aprofundamento do assunto tratado e a adequação dos exemplos (pessoas entrevistadas e/ou casos mostrados. (CAMARGO, 2018)

Por mais que a duração da entrevista aconteceu torno de uma hora e vinte aproximadamente, conseguiu estabelecer uma razoável dimensão do assunto tratado. É preciso ressaltar que, tema central foi da importância do ensino da arte na educação brasileira. Mas principalmente da importância da arte para vida. Nas primeiras respostas Ana Mae Barbosa diz:

“apesar de todos os embates contra a arte, apesar de a arte ser em geral colocada como um dos últimos valores humanos – por que afinal de contas, quando você tem uma crise econômica no país, a primeira coisa que se corta é o dinheiro para a cultura, o dinheiro para a arte. Na escola a mesma coisa. Quando há uma crise educacional, a primeira disciplina que se corta é a arte. Mas apesar disso, resiste até os dias de hoje porque a arte é o esforço do ser humano para representar o mundo ao seu redor e representar também os ritmos constantes da vida”. (BARBOSA, 2018)

 

É interessante, aliás, que entrevista mostra um dado importante sobre a medida da distância existente entre público e arte: 63% dos paulistanos maiores de 14 anos nunca vão a museus, galerias ou exposições de arte. Porém há um fato que se sobrepõe, por exemplo, mesmo com essa distância do aluno e da arte, nós estamos imersos o tempo todo visualizando imagens. Segundo Ana Mae (2018) o mundo que nos cerca está cheio de imagens, ele informa através de imagens; é a televisão, o computador, o outdoor, enfim, somos bombardeados pelo conhecimento através da imagem, que até é captado inconscientemente por nós.

O aprofundamento do assunto foi no decorrer da entrevista em que Ana Mae Barbosa explica sobra à Abordagem Triangular, pois a autora fala sobre o uso do método nas escolas e como ela sistematizou baseado no DBAE. Segunda Ana Mae Barbosa:

“eu faço bem questão de dizer, que eu não criei essa abordagem, eu sistematizei para o caso do Brasil. Com a pós-modernidade, houve essa mudança de ensino exigindo na escola a educação artística, que é a educação do fazer, e a educação estética, que é a educação do entender, do compreender a arte. Esse grande guarda-chuva – educação artística e educação estética – foi traduzido em diferentes países por diferentes abordagens metodológicas. O Sílvio agora mesmo se referiu à abordagem americana que é chamada DBAE, ou Discipline-Based Art Education, ou arte-educação como disciplina”. (BARBOSA, 2018)

 

E também fala das mudanças e reformas da LDB e os parâmetros curriculares, pois os professores não estão preparados e a pouco treinamento para atualização por parte deles, nem incentivo do governo. Segundo Ana Mae Barbosa (2018) não é possível querer fazer uma renovação, uma revolução educacional, uma reforma educacional sem que todos os professores estejam conscientes de qual é a importância dessa reforma,  por que e por onde vai essa reforma? Eles precisam estar equiparados para questionar essa reforma, seus princípios e organizar o seu currículo.

A adequação dos exemplos citados e casos mostrado na entrevista de Ana Mae Barbosa, ela faz uma colocação sobre o adolescente que precisa de arte para expressar os seus conflitos, para confrontar suas crises. Essa relação da observação e da sua reflexão, acerca do mundo com a arte se torna mais fácil, pois tem a capacidade de expressar de alguma forma, sendo: teatro, desenhando, pintando ou fazendo música. Existe pesquisas que, adolescente que trabalham com arte tem uma menor tendência à auto sabotagem e destruição.

Sendo assim, o autor deixa claro que o professor trabalhando com a abordagem triangular ensino de arte nas escolas reflete na formação do estudante. Podemos perceber conforme entrevista que a arte na vida é essencial no seu ensino e desenvolvimento. Não é exagero afirmar que esse tema, por mais que tenha inúmeros livros escritos e entrevista realizada com Ana Mae Barbosa, ainda as escolas estão encarceradas e tímidas nas aplicações da delas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, A. M. Memória Toda Viva. Roda Viva, 2018. Disponivel em: <http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/370/entrevistados/ana_mae_barbosa_1998.htm>. Acesso em: 02 maio 2019.