Conforme verificado por Barbosa (2001), o primeiro livro que estabelecia para o ensino a arte como conhecimento foi de Edmund Feldman a qual o autor traz o método comparativo de análise de obras de artes. Trata-se inegavelmente de estimular a leitura de uma ou mais imagens de obras, com a atenção para o confronto entre a suas semelhanças e diferenças.

“Para efeitos didáticos, ouso classificar o método de leitura da obra de arte de Feldman como comparativo. Ele nunca propõe a leitura de uma única obra de arte, mas sempre coloca duas ou mais obras para que o estudante tire conclusões da leitura comparada de problemas visuais propostos de maneira similar, ou diferentemente nas várias obras”. (…) Para o estudo da linha, especificamente, Feldman propõe a, análise das diferenças e semelhanças entre as linhas onduladas de uma cadeira de Balanço Thonet (figura – 1) e da escultura de Calder The Hastess (figura-2) em contraposição à angulosidade do quadro de Family Walk de Paul Klee (figura-3) e das linhas agudas do quadro de Jacob Lawrence, Pool Parlar (figura-4)” (BARBOSA , 2001, p. 44).

FIGURA – 1

 

 

 

 

 

 

 

 

FIGURA – 2

 

 

 

 

 

 

 

 

FIGURA – 3

 

 

 

 

 

 

 

FIGURA – 4

 

 

 

 

 

 

 

 

Dentro do método comparativo de leitura da obra de arte, Edmund Feldman propõe que sejam analisadas, seguindo quatro estágios (ARRUJO e OLIVEIRA, 2013):

  • Descrever: identificar o que se vê na obra visual, apenas o que está evidente
  • Analisar: identificar na obra elementos da composição visual, estabelecendo relações entre os elementos
  • Interpretar: dar sentido ao que observou na obra, procurando identificar quais os sentidos, ideias, sentimentos e expressões intencionadas pelo autor.
  • Julgar: emitir Juízo de valor sobre a obra, se ela é importante ou não, se tem qualidade estética.

A melhor maneira de compreender esse processo é considerar que a Abordagem Triangular foi fundamentada pelo desenvolvimento estético da Abigail Housen que colaborou no encaminhamento das atividades da leitura da obra de arte, como (ARRUJO e OLIVEIRA, 2013):

  • Narrativo/descritivo/construtivo: como a obra visual foi feita, sua composição como o artista, a produziu.
  • Classificatório: Quem é o artista que produziu a obra, em que ano e época a obra foi feita, quais as matérias procedimentos utilizada os na sua produção.
  • interpretativo: Quem sensações, ideias ou sentimentos a obra expressa
  • Recreativo: fazer artístico baseado na mesma obra visual

Conforme explicado acima o que importa, portanto, é notar o eixo de contextualização da Abordagem Triangular, de Ana Mae Barbosa, que é semelhante aos estágios fundamentais de, Edmund Feldman. Vê-se, pois, que ao contextualizar a obra de artes, época de produção e os artistas, a linha descritivo/narrativo/construtivo e classificativo, de Abigail Housen.

É preciso ressaltar que a Abordagem Triangular foi colocada em prática no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, entre o período de 1987 a 1993. Logo após dos reconhecimentos Parâmetros Curriculares Nacionais (PNC), se tornou uma abordagem recorrente para o professor de artes visuais trabalhar.  Por final, partindo dos mesmos princípios da abordagem, é possível entender que a transformação, interpretação e criação a partir de um referencial, um texto visual, que pode estar explícito ou implícito no trabalho final do aluno, se define a releitura.

Há, segundo Analice Dutra Pillar (2011 , p. 14), uma enorme distância entre releitura e cópia:

“A cópia diz respeito ao aprimoramento técnico, sem transformação, sem interpretação e sem criação. Já na releitura há transformação, interpretação, criação com base num referencial, num texto visual que pode estar explícito ou implícito na obra final”.

O autor deixa claro, que ambas, cópia e releitura, são atividades de ensino, mas uma é de ordem da reprodução e outra da criação.  Espera-se, dessa forma que a Abordagem Triangular, além de contribuir para a construção do conhecimento em artes, ajuda no desenvolvimento de práticas pedagogia do professor de Artes Visuais.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARRUJO, G. C.; OLIVEIRA, A. A. Sobre Métodos de Leituras de Imagem no Ensino da Arte Contemporãnea. Imagens da Educação, Uberlândia, v. III, p. 70-76, Fevereiro 2013.

BARBOSA , A. M. A imagem no ensino da arte. 4ª. ed. São Paulo : Perspectiva , v. II, 2001.

BARBOSA, A. M. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. 2ª. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

BARDOSA BASTOS, A. A. Arte/Educação Contemporânea. In: BARBOSA, A. M. Arte/Educação Contemporânea. São Paulo : Cortez, 2005. Cap. Releitura, citação, apropriação ou o quê?.

PILLAR , A. D. A educação do olhar no ensino das artes. 6ª. ed. São Paulo : Mediação , 2011.