Por: Marcos Camargo

A Abordagem Triangular hoje conhecida, publicado primeiramente com o nome de Metodologia Triangular em 1990, no livro “A imagens no ensino da Arte” por Ana Mae Barbosa, depois alterado no livro “Tópicos Utópicos” passou a chamar de “Proposta Triangular”. Segue de forma sistemática com sua gênese DBAE- Disciplined Based Art Education e com outras duas fortes influências na Richard Hamilton, em Newcastle University (Inglaterra) e Escuelas al Aire Libre (México) à sistematização pós-moderna do ensino da arte na educação brasileira.

A abordagem consiste na forma de como constroem o conhecimento nas artes, através na interligação dos três eixos que são:

  • EXPERIMENTAÇÃO – fazer arte; fazer artístico; trabalho prático artístico:  consiste na estimulação a criação. Aqui baseia-se na criação da arte, não como uma cópia, mas sim trabalhando a releitura da obra, a qual foi interpretado, transformando em algo novo.
  • FRUIÇÃO/DECODIFICAÇÃO – Leitura da obra de arte; apreciação imagens artística e crítica: consiste em descortinar a análise da obra, estimular a capacidade de pensar sobre a arte, não que é certo ou errado, apenas leitura do objeto para interpretação da obra e não o artista.
  • CONTEXTUALIZAR – Contextualização histórica; conhecer a sua contextualização histórica da obra (imagens). Consiste em relacionar a obra com a história da arte e outras áreas conhecimentos.

De acordo com Barbosa (2001, p. 31-32):

“Quando falo de conhecer arte falo de um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter-relacionando o fazer artístico, a apreciação da arte e a história da arte. Nenhuma das três áreas sozinha corresponde à epistemologia da arte. O conhecimento em artes se dá na interseção da experimentação, da decodificação e da informação. Só um fazer consciente e informado torna possível a aprendizagem em arte”.

É importante ressaltar que Rizzi (2003) reitera no livro Inquietações e Mudanças no Ensino”  que a construção do conhecimento em artes se há quando a interseção da experimentação com a codificação e a informação, além que para contextualizar, será necessário  estabelecer relações de interdisciplinaridade, (ligações em outros ramos do conhecimento) no processo de ensino-aprendizagem.

Ainda BARBOSA Basto, (2005, p. 142), sobre a contextualização continua:

“contextualizar a obra de arte, consiste em contextualiza-la, não só historicamente, mas também social, biológica, psicológica, ecológica, antropológica etc., pois contextualizar não é só contar a história da vida do artista que fez a obra, mas também estabelecer relações dessa ou dessas obras com o mundo ao redor, é pensar sobre a obra de arte de forma mais ampla”.

Essa teoria, por exemplo, possibilita muitas ações ao professor em sala de aula, levando aos alunos a estabelecer relações entre a apreciação de imagens e o fazer artístico. “A metodologia de análise é de escolha do professor, o importante é que obras de arte sejam analisadas para que se aprenda a ler a imagem e avaliá-la; esta leitura é enriquecida pela informação histórica e ambas partem ou desembocam no fazer artístico” (BARBOSA , 2001, p. 37).

Continua…